Conheça os Neurotransmissores

Já ouviu os termos Dopamina, Adrenalina, Serotonina? Saiba o que são e como eles influenciam na sua vida.

Dopamina, adrenalina e serotonina são algumas palavras utilizadas com frequência nas redes sociais. Mas pouco se sabe sobre o que elas realmente significam. O objetivo deste texto é desmistificar algumas dúvidas e compartilhar curiosidades sobre esses neurotransmissores importantíssimos.

Imagine o cérebro como uma gigantesca rede de comunicação, formada por bilhões de neurônios. Para que uma informação passe de um neurônio para outro, é preciso um “recado químico” e é exatamente essa a função dos neurotransmissores.

Neurotransmissores são moléculas mensageiras (substâncias químicas), que fazem parte do Sistema Nervoso, responsáveis pelo transporte de informações entre os neurônios.

Mas atenção: eles não atuam apenas no cérebro. Neurotransmissores também controlam funções como batimentos cardíacos, respiração, digestão e até a sensação de fome e sede. Esses compostos são liberados na região de contato entre dois neurônios, chamada sinapse, e se encaixam em receptores específicos, como uma chave em uma fechadura. Esse processo determina se um sinal será transmitido, intensificado ou bloqueado, influenciando desde um simples movimento do corpo até processos complexos como memória e emoção.

Imagem ilustrativa gerada por IA

Os principais tipos de neurotransmissores

A classificação mais comum divide os neurotransmissores em dois grandes grupos:

  • Excitatórios — responsáveis por estimular o funcionamento do neurônio, ou seja, “ligam” o sinal e fazem a mensagem continuar.
  • Inibitórios — responsáveis por diminuir o funcionamento do neurônio, atuando como um “freio”. São igualmente importantes porque ajudam na regulação de fatores metabólicos e no equilíbrio do sistema nervoso.

Existe ainda uma terceira categoria, menos conhecida: os modulatórios, que não excitam nem inibem diretamente, mas regulam a atividade geral do cérebro, ajustando a intensidade dos sinais.

Pesquisas recentes publicadas em 2025 apresentam uma classificação moderna dos neurotransmissores baseada em sua estrutura química e função. Embora existam mais de 100 tipos identificados, os principais podem ser agrupados em algumas categorias:

Monoaminas

Este grupo inclui três dos neurotransmissores mais estudados:

  • Dopamina — associada à sensação de recompensa, motivação e prazer. É liberada, por exemplo, quando alcançamos um objetivo ou vivemos uma experiência positiva. Também está envolvida em movimento e aprendizado.
  • Serotonina — ligada à regulação do humor, sono e apetite. Níveis equilibrados dessa substância estão relacionados a uma sensação geral de bem-estar e contentamento.
  • Noradrenalina — envolvida em respostas de alerta, atenção e reação a situações de estresse. Ajuda o corpo a se preparar para ação.

Estudos publicados em 2025 sobre biosíntese e função dessas três substâncias têm investigado, inclusive, como compostos presentes em plantas (fitoquímicos) podem influenciar sua produção no organismo — um campo promissor para o desenvolvimento de novas abordagens relacionadas ao equilíbrio emocional.

Aminoácidos

Além das monoaminas, existem neurotransmissores baseados em aminoácidos, que são moléculas fundamentais para a vida:

  • Glutamato — o neurotransmissor excitatório mais importante do cérebro. Ele “ativa” os neurônios, facilitando a transmissão de sinais. É essencial para aprendizado e memória, mas em excesso pode ser prejudicial.
  • GABA (ácido gama-aminobutírico) — funciona como o “freio” do cérebro. Reduz a atividade neuronal, promovendo relaxamento e reduzindo a ansiedade. É o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central.
Neuropeptídeos

Existem também neurotransmissores mais complexos, chamados neuropeptídeos, que são pequenas cadeias de aminoácidos:

  • Endorfinas — frequentemente chamadas de “hormônios da felicidade”, são liberadas durante exercício físico, riso ou situações de prazer. Têm propriedades analgésicas naturais, reduzindo a percepção de dor.
  • Encefalinas — semelhantes às endorfinas, também atuam na redução da dor e na sensação de bem-estar.
  • Substância P — envolvida na transmissão de sinais de dor pelo corpo.
Outros neurotransmissores importantes
  • Acetilcolina — crucial para memória, aprendizado e movimento muscular. É o neurotransmissor que permite que o cérebro controle os músculos.
  • Histamina — regula o ciclo sono-vigília e está envolvida em respostas inflamatórias.
  • Óxido nítrico — um neurotransmissor gasoso que participa de processos de memória e vasodilatação.

Em termos práticos, por que é importante saber sobre esse tema?


Medicamentos psiquiátricos para transtornos de ansiedade, depressão e TDAH atuam justamente na regulação desses neurotransmissores. É por isso que alguns medicamentos para o mesmo quadro têm reações diferentes no organismo. Por exemplo, os antidepressivos Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS) fazem com que o corpo não absorva com rapidez a serotonina na fenda sináptica, mantendo-a disponível por mais tempo para continuar transmitindo sinais de bem-estar entre os neurônios.

Doenças como Parkinson e Alzheimer também estão diretamente associadas a neurotransmissores. No Parkinson, há uma diminuição significativa de dopamina no cérebro, comprometendo os movimentos. No Alzheimer, a acetilcolina diminui, afetando a memória e a capacidade de aprendizado.

Perguntas frequentes:

Cortisol é neurotransmissor?

Não. O cortisol é um hormônio produzido pela glândula suprarrenal para ajudar o corpo em momentos de estresse. Ele interage com o sistema nervoso, mas não é classificado como neurotransmissor.

Cada neurônio produz apenas um tipo de neurotransmissor?

Na maioria dos casos, sim. Cada neurônio libera um tipo principal de neurotransmissor, por isso se diz “neurônio dopaminérgico” ou “serotoninérgico”. No entanto, existem exceções em que um neurônio pode liberar mais de um tipo de neurotransmissor.

É possível fazer “detox de Dopamina”?

O termo “detox de dopamina” não é um conceito científico. O que existe é a redução de estímulos excessivos (como redes sociais, açúcar e jogos) que provocam picos artificiais de dopamina. Reduzir esses estímulos pode ser positivo, mas não se trata de “limpar” a dopamina do corpo. E tentar suprimi-la totalmente pode causar prejuízos emocionais significativos.

Comer chocolate aumente a Serotonina?

Não necessáriamente. Comer chocolate aumenta o nível de uma substância chamada “Triptofano”, um aminoácido precursor da serotonina, mas a quantidade presente não é suficiente para alterar significativamente os níveis cerebrais. A sensação de bem-estar ao comer chocolate está mais relacionada ao prazer do que a um aumento real de serotonina.

É possível fazer exame de neurotransmissores?

É possível, mas ainda não se tem comprovação da necessidade e eficácia desse tipo de exame. Ele pode ser avaliado por meio da urina, saliva ou sangue.

Os neurotransmissores são peças fundamentais para compreender como pensamos, sentimos e agimos. Longe de serem apenas um tema de laboratório ou de pesquisa, eles impactam diretamente na rotina, do humor ao nível de energia, da capacidade de concentração à qualidade do sono. A ciência moderna reconhece que essas substâncias químicas trabalham em harmonia, criando um equilíbrio delicado que sustenta nossa saúde mental e física. Conforme a pesquisa avança, entender essa comunicação química invisível se torna cada vez mais acessível, ajudando não apenas pesquisadores, mas qualquer pessoa interessada em compreender melhor o próprio funcionamento mental.

*Imagens do post geradas por IA

Referências do artigo:

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  2. Alqahtani, N. S. et al. (2025). Mental Health and Neurotransmitters: Chemical Basics — An Updated Review. Egyptian Journal of Chemistry. 🔗 https://doi.org/10.21608/ejchem.2025.427818.12399
  3. Naoi M, Wu Y, Maruyama W, Shamoto-Nagai M. (2025). Phytochemicals Modulate Biosynthesis and Function of Serotonin, Dopamine, and Norepinephrine for Treatment of Monoamine Neurotransmission-Related Psychiatric Diseases. International Journal of Molecular Sciences (MDPI). 🔗 https://www.mdpi.com/1422-0067/26/7/2916
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  5. Bose, D., Bera, M., Norman, C.A. et al. (2024). Minimal presynaptic protein machinery governing diverse kinetics of calcium-evoked neurotransmitter release. Nature Communications. 🔗 https://www.nature.com/articles/s41467-024-54960-1
  6. Matsui, A. et al. (2024). Cryo-electron tomographic investigation of native hippocampal glutamatergic synapses. eLife. 🔗 https://elifesciences.org/articles/98458

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Abraços,

Vívian F. Mendonça

Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga
CRP 06/139718

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